segunda-feira, 3 de abril de 2023

UM CHAMADO A BASE DA SEGURIDADE SOCIAL


         Somos um grupo de servidores da Seguridade Social que milita na base da categoria da Fenasps.

Não estamos em direções dos Sindicatos, nem na Fenasps, mas entendemos a importância do debate e da organização da categoria, chamando aqueles que não se reconhecem na composição das entidades e nos grupos estabelecidos nas mesmas, que venham debater conosco.


Entendemos que com a unidade da classe trabalhadora organizada, sejam nas redes, nos locais de trabalho, núcleos, regionais e nas entidades, é possível, não apenas defender, mas também conquistar direitos e melhorar o que está posto. Portanto, propomos debates,  sem divisões e  posturas que reduzem a discussão a ofensas pessoais, mas sim com respeito às diferenças, disputas fraternas de ideias,  à solidariedade e o consenso, sempre que possível.


Vivemos um período duríssimo para a Classe Trabalhadora nos ultimos 4 anos, e nós servidores públicos, fomos atacados quase diariamente com a intensificação do desmonte do serviço público e a divisão dos trabalhadores dentro dos próprios órgãos sob as políticas de produtividade com fim nelas mesmas e programas que não atendem aos anseios dos servidores e nem da população.

O desmonte do sistema de saúde que engloba SUS, Anvisa e Funasa, ficou escancarado na pandemia, cuja interferência do último governo levou à morte mais de 700 mil  brasileiros, não sendo ainda pior pela heróica resistência desses trabalhadores frente ao caos institucional criado.


Foi muito importante derrotar Bolsonaro nas urnas, mas entendemos que não se encerra a luta, muito pelo contrário, temos um governo de coalizão, um congresso majoritariamente reacionário e fechado com interesses do grande capital, logo, a reorganização da classe trabalhadora na reconstrução de seus instrumentos de luta, estarmos juntos com os movimentos sociais e a necessidade de uma Central combativa que faça realmente a ponte com todos os trabalhadores, inclusive com os precarizados, se faz urgente.





quinta-feira, 26 de novembro de 2020

ACABOU A PACIÊNCIA! AMPLIAR O MOVIMENTO PARA TODA A CATEGORIA! NOSSOS SINDICATOS PRECISAM NOS DAR APOIO!

 

Para além dos diversos problemas que enfrentamos, como o congelamento salarial, falta de condições para retorno às agências, reforma administrativa, sucateamento do INSS e dos serviços públicos, dentre tantos, mesmo o básico que são sistemas que minimamente funcionem para que possamos trabalhar temos tido. Diante da piora ainda maior nos últimos dois meses, com quedas cada vez mais insuportáveis e constantes no GET, CNIS e na VPN, nossa paciência chegou no limite. Ainda por cima, mesmo o mínimo já normatizado sobre o assunto tem sido respeitado, prazos para abatimentos são ignorados, quedas nos sistemas de dias inteiros negligenciadas, como ficou patente com a ausências dos dias indicados nos próprios avisos da DATAPREV, tudo isso levou nossa categoria ao limite. Indignados, servidores da base da categoria elaboraram um abaixo-assinado reivindicando o mínimo: sistemas corporativos que funcionem e não sermos cobrados por um período em que não podemos trabalhar!

O governo, como tantas outras vezes, prometeu nos atender e nos deu até prazo. Mas como sempre não cumpriu o prometido, nos desrespeitando e soltando uma nova portaria piorando ainda mais as condições dos que estão no Teletrabalho e no Semipresencial (com aumento de metas), além de já ter sinalizado punição salarial para os demais que não cumprirem as metas. A paralisação na análise de processos de 3 dias que estamos fazendo, é um sinal de que, apesar do trabalho online, ainda podemos nos mobilizar e parar o INSS. Isso porém parece ter sido ainda insuficiente para acuar uma diretoria colegiada de tecnocratas no melhor estilo Paulo Guedes, que desconhecem a realidade dos servidores e da população, um punhado de homens brancos que só falta nos chamar de parasitas e que nos culpa pelos problemas do INSS, quando os culpados são eles e o governo que defendem.

Precisamos ir além!  

Esse movimento não pode parar por aqui. Mas não basta a simples continuidade, precisamos entender as nossas limitações para poder superá-las. A esmagadora maioria dos servidores aderiram aos programas de gestão não por simpatia ao governo ou por concordar com as metas estabelecidas, mas por necessidades concretas. Se programaram para esses 3 dias e não podem ser desligados repentinamente, já está sendo difícil manter essas 72 horas. Prorrogar imediatamente o movimento por tempo indeterminado levaria o movimento a se esvaziar, o que não quer dizer que tenhamos que parar por aqui. A partir de dezembro podemos recuperar o fôlego e iniciar um movimento por tempo indeterminado, com todos iniciando em patamares iguais de pontuação e sem diferenças entre quem já bateu a meta ou está mais próximo e os demais.

Além disso, nenhuma tática deve ser descartada. Os programas de gestão são o coração do INSS, e os servidores, com os salários congelados, inflação galopante, morando muitas vezes em outras cidades com horas e horas de deslocamento, aderem por necessidade. Não adiantam apelos para que as pessoas individualmente boicotem os programas de gestão, o que é diferente de uma ação coletiva e organizada que de fato coloque os programas em risco. Uma possibilidade seria um abaixo-assinado no qual milhares de servidores se comprometam a se desligarem no mesmo dia desses caso as reivindicações não sejam atendidas. Como dizia o poeta Paulo Leminski: “Na luta de classes todas as armas são boas: pedras, paus, poemas”.

Se faz necessário também progredir para envolver um maior número de servidores nas mobilizações. As movimentações setoriais são importantes, colocam servidores em luta que depois puxam os demais, e é importante que isso aconteça. O GT de pontuação está em andamento, e se não houver luta dos servidores, será mais um GT de enrolação. Com a expansão da pontuação para todos os setores do INSS, ninguém está a salvo, e já houve proposta de atrelamento da produtividade às avaliações da GDASS.

Ainda que não se queira perder o foco, o próximo passo tem que ser envolver o conjunto dos servidores numa luta comum, não só por pontuações justas, já que não há correlação de forças no momento para impor outra lógica de aferimento, mas também nos colocar em movimento com o conjunto dos servidores contra a Reforma Administrativa do Governo Bolsonaro, que na prática acaba com nossas carreiras.

É um engodo que as novas regras só valerão para os novos servidores, pois isso nos jogaria numa carreira em extinção nivelada pelas regras vindouras. O momento é propício, milhares dos nossos que acreditavam que o novo governo resolveria nossos problemas de mão beijada, que produzindo individualmente seriam valorizados, que passaram a desacreditar na luta coletiva, com o rompimento dos setores médios da população com este governo começaram a despertar também. Tal situação só tende a se intensificar, é possível jogar o governo contra as cordas e sermos vitoriosos.

 

Precisamos do apoio de nossos sindicatos!

 

Ainda que o desgaste do movimento sindical junto a base dos trabalhadores seja muito grande, mesmo que questionados são uma fonte de segurança e de credibilidade na luta quando se envolvem, muitos servidores questionam quando não estão envolvidos se o movimento é realmente efetivo.

Muitos apontamentos feitos com relação à política produtivista e aos programas de gestão realizados por parte da maioria de nosso movimento sindical estão corretos, ainda que muitas vezes se culpabilize incorretamente os servidores e não se entenda a correlação de forças desfavorável que vivemos. Como a própria diretoria do INSS propagandeia, é uma tentativa de implantação da Indústria 4.0 na gestão. Tal modelo tem significado na prática a flexibilização ou até mesmo o fim de direitos trabalhistas para variadas categorias. Na nossa o Teletrabalho tem feito muitos trabalharem mais do que 6h para poderem bater as metas, com a instituição se aproveitando da chantagem de que caso saiam terão que voltar a enfrentar várias horas de deslocamento. Com o BMOB se aproveitaram de nossa defasagem salarial para impor uma forma de recebimento na qual não há férias, licença médica, 13°, só miseráveis 40 reais líquidos. Tal flexibilização trabalhista começa a ser questionada no mundo todo, com paralisações de motoristas de apps, entregadores, profissionais de telemarketing, dentre outros. Temos inclusive intelectuais brasileiros que estudam o assunto entre os melhores do mundo, como Ruy Braga e Ricardo Antunes, totalmente abertos ao debate com o movimento sindical, e que são sub-aproveitados para analisar nossa situação no INSS.

Mas em prol da crítica a esse modelo, nossos sindicatos e federações combativas, FENASPS e CNTSS, não podem ignorar a luta dos trabalhadores por minimamente conseguir reduzir nossa exploração. Nosso movimento não é de corrente nenhuma, partiu da base que está cansada de não ter nem mesmo condições pra trabalhar. Cabe aos sindicatos brigar até mesmo por um bebedouro, se for isso que move os trabalhadores. Nos anos 90 os setores combativos do movimento sindical brigaram muito contra a PLR por exemplo, mas depois tiveram qu brigar por valores maiores, pois não havia correlação de forças para a incorporação aos salários.

Não resolve relegar os servidores que vão a luta à própria sorte dizendo que nossa pauta é rebaixada, isso só nos deixa mais ainda a mercê da administração, que o que mais quer é que os sindicatos não apoiem o movimento dos servidores. Nossos sindicatos e federações devem refletir, historicamente estiveram ao nosso lado em todas as lutas, não podem devido a disputas internas manterem uma postura inflexível, quando milhares de trabalhadores se levantam e se organizam. Essa tem que ser uma discussão fraterna, partindo daqueles que estão construindo o movimento e sabem da importância do envolvimento e apoio dos nossos sindicatos, facilitando até mesmo o desenvolvimento paralelo da luta contra a reforma administrativa.

Dentre aqueles que já estamos construindo o movimento, nossa organização, também precisa evoluir. Durante esse tempo dos 3 dias até uma nova paralisação das análises, precisamos voltar ao convencimento nos grupos para maiores adesões, e repensar o trancamento dos mesmos caso se apresente uma revolta dos servidores depois da reabertura. Além do que corretamente já foi feito, de procurar a imprensa, é necessário buscar parlamentares que defendem os servidores, entidades da sociedade civil, aumentar a pressão pois o funcionamento dos sistemas do INSS é uma demanda de toda a sociedade.

Também é necessário que, numa nova paralisação, tenhamos um comando de mobilização que represente os servidores nacionalmente, ainda que virtualmente, pois não podemos estar todos em Brasília. Por mais valorosa que seja a atuação de um coletivo sindical, o movimento precisa se ampliar e ter representatividade, para além das já eleitas em nossas entidades, sendo esta uma discussão fraterna que fazemos com nossos colegas que estão na luta.

E que se façam documentos, discutamos, aprofundemos e politizemos nossas discussões, façamos desse limão uma limonada, conseguindo o mínimo podemos animar o conjunto dos servidores para irmos além, nossa vitória é possível!

 


terça-feira, 13 de outubro de 2020

Da fundação da FENASPS até aqui tudo mudou. Precisamos mudar também!





A FENASPS representou, entre as décadas de 80 e 90, 170.000 servidores ativos da  Saúde e Previdência Social, de todos os estados da federação. Hoje a categoria tem enormes diferenças. Na saúde são aproximadamente 7.000 ativos e na previdência algo em torno de 23.000, enquanto na Anvisa estamos próximos de 5.000. Um total em torno de 35.000 servidores na ativa. Ocorre que a FENASPS não representa esse total. Durante o governo de FHC foi criada a ANASPS, enquanto no de Lula diversos sindicatos se desvincularam da FENASPS e se filiaram na CNTSS. Agora no governo Bolsonaro foi criada a ANACSS. À CNTSS estão vinculados os sindicatos de MA, PE, SE, BA, AL, MS, GO e DF, além do SINSSP que divide a base em SP. Os demais estados, em maior ou menor grau, integram os fóruns da FENASPS, com alguns como MS e SE participando das duas entidades.


A categoria carrega o peso da derrota das sucessivas reformas da Previdência Social, que infelizmente a classe trabalhadora e suas organizações não conseguiram impedir. Sofreu também com o desmonte neoliberal, implicando na falta de concursos públicos, redução no número de ativos, rebaixamento salarial drástico e um hiato geracional. As entidades , além de fragmentadas,  foram  atingidas por processos de desvios burocráticos  que ampliaram  o distanciamento da base e de suas demandas , sendo um obstáculo fundamental na capacidade de reação, aprofundando a crise, em meio a um governo de extrema-direita, marcado pela truculência no trato com os trabalhadores, como vimos na greve dos Correios, e com tentativas crescentes de restrições nas liberdades democráticas, o que cerceia nosso próprio direito de lutar. A atual conjuntura de retrocessos e crescimento do ultra-liberalismo, com métodos reacionários e neofascistas, coloca de novo um ponto de inflexão do que será a Previdência social no próximo período, com a Reforma Administrativa em curso e mantido o teto de gastos por mais 18 anos. Resistir nessas condições impõe superar três desafios fundamentais: 
  1. Construir uma unidade que seja expressão real da categoria nacionalmente. Não só uma unidade formal entre as direções, mas um fórum nacional que envolva de fato toda a categoria, aberto e convocado pelas entidades de forma unitária. A utilização dos meios virtuais, ainda que não deva ser vista como única forma de debate, tornou possível atingir servidores dos rincões mais distantes do país, possibilitando a participação para além dos ativistas de sempre. Hoje é perfeitamente plausível, caso haja o empenho da FENASPS e da CNTSS, envolver todos os estados de nosso país. Isto só será possível se houver pressão da base, pois as direções das entidades infelizmente caminham no sentido oposto, criando pautas e ações próprias, se diferenciam em reuniões com o governo e se atacam mutuamente nos grupos de WhatsApp.  Uma reunião desse caráter, que ocorra regularmente, construiria posições unitárias da categoria, com muito mais força frente ao governo, e imporia para as entidades uma dinâmica diferente de consulta às bases. Poderia impulsionar a criação de comitês de mobilização unitários por todo o país, envolvendo a base das diferentes regiões na luta concreta. Atualmente mesmo os setores que discordam da condução da FENASPS e/ou da CNTSS, se veem na tentação de criar a sua própria entidade, o seu abaixo-assinado, sua pauta, a representação de seu grupo em audiências, o que aumenta a fragmentação e dispersão de representação frente ao governo. O caminho tem que ser o oposto à fragmentação, uma campanha forte na base pela convocação de reuniões abertas, representativas e unitárias, pois isso abriria um caminho para recuperar a confiança da categoria, na medida em que suas demandas estejam refletidas nas decisões e forçaria planos de ação e mobilização comuns.
  2. Romper o isolamento que estas entidades têm em relação à sociedade. O governo está desmontando o INSS por dentro e os movimentos sociais precisam saber, através de nós, o que está correndo. Uma tática comum dos governos quando querem privatizar/terceirizar é sucatear a tal ponto que qualquer alternativa pareça razoável. Nós temos a tarefa de lançar um movimento de magnitude tal para minimamente frear esse processo, mas é preciso traduzir o que está ocorrendo no interior do INSS para o público em geral, de forma que a defesa de uma previdência pública, de qualidade, e também a realização de concursos seja assumida por mais setores sociais, assim como partidos políticos e entidades da sociedade civil.
  3. Construir uma pauta emergencial para esse período, que responda às angustias concretas de quem está na ativa, suportando um ambiente insustentável. Nossas bandeiras históricas são referências, mas elas precisam ter concretude na realidade atual.

Por sua vez é importante uma pauta emergencial que pressupõe 3 pontos:

  1.   Condições sanitárias para o atendimento;
  2.   Lutar por uma pontuação justa e contra o aumento da jornada de trabalho. O governo tem uma média de tempo por tarefa quando estabelece as metas, as quais têm uma jornada de trabalho embutida. A luta pela jornada de trabalho passa portanto pela negociação de uma pontuação justa. Ser contra o regime de trabalho por metas como concepção é uma bandeira histórica e correta, mas enfrentamos uma correlação de forças desfavorável, sendo um fato que as metas existem, assim como a pontuação por tarefa, ignorar esta realidade pode ser fatal. Dois erros podem aparecer aqui. O primeiro é nos negar a construir uma proposta do movimento, que expresse uma pontuação que, além de justa, combata o aumento da jornada de trabalho. Ao nos negarmos a realizar esta luta, deixamos a categoria a mercê das negociações que o governo vai realizar com entidades pelegas e sem representatividade. Por outro lado, não podemos incorrer no erro de, ao construir uma proposta tática, abandonar as bandeiras de defesa da jornada de 6 horas e contrária a atrelação das metas ao nosso salário e jornada. Pois se hoje a relação de forças é desfavorável, teremos em outros momentos possibilidades de colocar pautas mais avançadas na mesa de negociação.
  3.  A luta por concurso público. A última reportagem do Fantástico (vejam só, da Globo!) e a correta posição apresentada pela diretora da FENASPS, debateu o centro do problema: nosso número de funcionários não consegue dar conta da demanda de atendimento e de análise que o instituto tem. Só houve redução do estoque de processos em atraso porque estávamos em isolamento social, com o atendimento ao público reduzido. Com o retorno ao atendimento, ainda que o acesso pelo Meu INSS e pelo 135 tenha aumentado, voltará e aumentará o já absurdo número de processos em análise, que hoje segundo dados do próprio governo é de absurdos 1,7 milhões. Este tema tem possibilidade de construir um amplo apoio social.
  4.  Nos incorporarmos de fato na campanha contra a Reforma Administrativa. O futuro da categoria e de nossa carreira está sendo jogado nessa decisão. A pressão que o movimento de conjunto está fazendo pode ter vitórias, parciais ou geral.

Mas a luta por essas pautas passa por colocar a luta contra esse governo de extrema-direita, e contra uma elite que almeja a destruição do serviço público, como o centro de nossa atuação, e não a disputa interna entre as entidades e correntes políticas. E só é possível com a nossa unidade, com a participação da base de todo o país, com a construção de fóruns unitários e abertos a toda a categoria. Ainda há tempo.





*Usamos imagens da Mafalda em homenagem ao seu criador. O cartunista Argentino Quino morreu dia 30/09/2020 aos 88anos. Eternizado pela nossa Mafalda,  está presente, ontem, hoje e sempre.






segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O ESTUPRO DE UMA NAÇÃO

Por Junia Gouveia *

Chocadas acordamos... uma criança de 10 anos estuprada; um dia longo. As notícias vão se sucedendo. 

A cada notícia,  mensagem ou post que lemos ,a vontade de chorar ou vomitar aumenta. Asco completo.

Imagens medievais, da inquisição, de mulheres na fogueira, me vem a mente. É inevitável a comparação. 


Vejo deputados e "políticos" chamando uma criança de assassina por estar gravida de um estupro . Não os incomoda o estuprador , incomoda a luta dura e desesperada de uma menina  por sua própria vida .


A hipocrisia de se chamarem pró-vida e  cristãos revela-se quando em seu altar tem  armas, santificam  milicianos e riem-se de 100 mil mortes . 

Presas em nosso distanciamento social, seja em casa ou  no trabalho, procuramos alguma reação . Vejo mulheres em um ATO de coragem se concentrarem em uma pequena área na defesa da menina,  do médico e do hospital . Um pequeno grupo que lava minha alma e de milhões de mulheres e demais que hoje se sentem violentados . Como gesto único possível no momento, nas redes sociais a denúncia da página de Sara Winter caminha como rastilho de pólvora, milhares de denuncia até que, ao final da tarde, um juiz determina a retirada dessas postagens criminosas  . 

Somos milhões violentados. E nos perguntamos quem é essa escumalha liderada  pela ministra Damares e pela fascista Sara Winter  , que apesar de tamanha violência seguem livres?  São os mesmos que açulados por seu mito tentam intimidar mulheres, negros, indígenas, LGBT’s e trabalhadores .

Continuam livres pois são instrumentos uteis  para quem quer passar a boiada 

Passaram de todos os limites!!! Cruzaram a linha do rubicão. 

A revolta silenciosa que caminhou em nosso contido grito cobra dos poderes desta nação fraturada . O STF e o congresso não podem ser fechados , mas não podem seguir silenciados frente a uma catástrofe moral, ética, sanitária, economica e  ambiental.

Silenciados por um  pacto conspirado em  negociatas impublicáveis entre o mito, o centrão , o mercado e outros atores que se escondem nas sombras da ilegalidade e do poder econômico, operam um ataque sem precedente no pouco que sobra desse país em ruinas . O pacto das hienas .

Sob a montanha de cadáveres , sob a montanha de pedidos de impeachment, sob a montanha de horror que desfila em cada dia do noticiário, se aboletam o Presidente da República, sua familicia e sua trupe. Seguem “tocando a vida" o Presidente do congresso, o STF ,  Fiesp, Febraban , agronegócio  e milicianos de todo tipo.


A história julgará cada um desses senhores , e nós seremos a testemunha viva, e escreveremos  nas ruas, nas redes, na memória das próximas gerações, o nome de cada inquisidor , genocida, fascista  e que mostrou sua cara nesse momento vergonhoso .


A possibilidade de que esse horror se transforme em ação, que viabilize essa mudança na história repousa em cada um de nós que hoje nos sentimos violentados . Que tenhamos a força dessa criança de 10 anos que enfrentou esse dia e pode recuperar sua vida . Resistir antes de mais nada, é não deixar que tamanha violência atinja nossa capacidade de reagir e de acreditar que a vida vale a pena ser vivida e defendida.



*Junia Gouveia é Feminista, Socialista, Fundadora do PSOL, militante da Resistência e do V@mos, e  servidora do INSS aposentada. 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

PORQUE NÃO NOS CALAMOS




A CGU – Controladoria Geral da União  em sua nota “ técnica “  No 1556/2020/CGUNE/CRG, revela sua visão  profundamente ideológica , tenta estabelecer um novo parâmetro de conduta sobre os servidores públicos , de que devemos ser subservientes aos governos de plantão  e que devemos nos calar sobre todo arbítrio que estes governos orquestrarem na administração do Estado . Leia a matéria aqui.


Revela sua concepção ideológica de que o ESTADO são eles , de que a CONSTITUIÇÃO é o Presidente e de que os servidores federais são seus servos .  Visão autoritária e que de “ novo” não tem nada , velha visão militarizada , autoritária , que embasou  as diversas ditaduras militares no Brasil e no mundo . Visão essa manietada pelo “mercado” que opera nos espaços obscuros do estrangulamento de direitos básicos , entre eles os democráticos . 

Ocorre que a realidade não cabe nessa visão deformada e estreita, não percebem que nem mesmo a ditadura militar com todos os seus atos inconstitucionais conseguiu calar nem os servidores públicos e nem a população a quem de fato servimos . Pois a intenção bruta de intimidação revelou-se, ao longo da história , incapaz de conter a verdadeira força que brota da luta por igualdade , que feito água , invade e transborda rios , e leva os entulhos autoritários , derruba milicos de todo tipo e seus representantes de plantão . A força dos 99% revela-se agora nas manifestações antirracistas, nas greves sanitárias , nos panelaços das janelas do mundo  e na ampla consciência de que saude , educação , ciência , moradia e igualdade não podem ser privatizadas . 
Quando estes senhores tentam  estabelecer a lei do silencio é porque percebem que o grito está na garganta de milhões . 
E nós não nos calaremos , porque estaremos junto desse povo sofrido , pisoteado , roubado em seus direitos  e mais uma vez  na historia  esses senhores serão derrubados . O grito na garganta é de  FORA BOLSONARO  e seu séquito de canalhas e  será escrito na história como a repulsa de uma política genocida que atinge nesta data 90.000 mortos . Por eles não nos calamos . É pela vida que não podemos nos calar .



quinta-feira, 9 de julho de 2020

Jornada de Lutas #ForaBolsonaro



O Brasil, está chegando na terrível marca de 70 mil mortes pela Covid-19, com a situação econômica e social cada vez mais agravada, e ainda com crise política rodeada denúncias contra esse desgoverno e sua familícia, coloca para a sociedade a necessidade de derrubar de vez esse desgoverno. Estamos a mais de 50 dias sem ministro da Saúde, agora sem ministro Educação e com um governante que insiste em tratar a pandemia como uma gripezinha, mesmo com a notícia de estar contaminado, insiste em não usar máscara e coloca pessoas que trabalham ao seu redor em risco.


É preciso derrubar Bolsonaro e sua política genocida, então A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, juntamente com as centrais sindicais e mais de 40 organizações representando diferentes segmentos sociais, se uniram nesse movimento.


Para lançar  esta “Campanha Nacional Fora Bolsonaro” definiu-se duas agendas: o Dia Nacional de Mobilização Fora Bolsonaro, em 10/07, e a Plenária Nacional Fora Bolsonaro que será realizada no dia 11.

Então Sexta-feira (10) é dia Nacional de Mobilização pelo #ForaBolsonaro, com ações concentradas nas redes sociais e ações simbólicas nas ruas para preservar vidas e conter a disseminação do novo coronavírus (Covid-19).

Serão várias atividades durante o dia, como Carreatas e atos as 9h, Twittaço as 11h, 17 h live #ForaBolsonaro e as 20h panelaço. Participe!!!!




Veja nesse AQUI seis ações que vc pode fazer nesse dia 10/07.

DICA: AQUI vc tem acesso ao site da Campanha Fora Bolsonaro, com links, materiais e outras dicas de como participar.


Importante todxs somarmos nas iniciativas  de manifestos e  abaixo-assinados virtuais, como o impeachment popular, o Mulheres Derrubam Bolsonaro,  Com Racismo não há Democracia e o que exige a taxação das grandes fortunas



Dia 11, dando continuidade na Jornada de Lutas, ocorrerá a Plenária Nacional Fora Bolsonaro, na qual devem ser definidas as próximas ações da campanha. Para participar, é necessário preencher esse formulário 


PARTICIPE!!! V@mos lutar pela Democracia e pelo povo brasileiro !!







segunda-feira, 29 de junho de 2020

Carminha Bontempo Presente, ontem, hoje e SEMPRE!


Carminha se foi, mas ficou seu legado...

E a Carminha, nossa pequena grande mulher acaba de nos deixar e retornar às dimensões invisíveis. 

Incansável guerreira, defensora incondicional da classe trabalhadora, feminista de primeira e vanguarda sempre da luta pelo direito das mulheres, organizadora dos servidores da saúde e previdência, fundou o Sintsprev/MG e o Sintsprev/MS,  participou ativamente do nascimento da Fenasps com seu corte de luta, expressão destacada na luta pela anistia e a consequente derrubada da ditadura militar.


           “O grande legado dela é o força de vontade para lutar, incansável e incomparável, o desapego a cargos, seu amor à democracia  e seu caráter ilibado. Ela formou muitos (as) militantes pelo Brasil afora, eu sou um deles, levo ela no meu coração, sempre.” Henrique Martini (INSS -MS)

Exemplo de caráter elevadíssimo, nunca arredou o pé da moral e da ética da classe trabalhadora.

Foi e será uma grande referência para o movimento nacional, no Estado do Mato Grosso do Sul, quando os servidores daquela região, fundaram  a associação dos servidores da saúde e previdência e social (ASPS/MS) ela lá esteve  e revolucionou o movimento sindical do estado. Ela era chamada por toda a imprensa como a "agitadora Carminha".

     “Aqui no estado o Superintendente a chamava  de Carminha Tempestade. Ela é muito amada por todos aqui em Campo Grande. Cidade onde ela morou e plantou sua semente” Anita (INSS-MS)



O seu papel no SINSTSPREV -MG, como fundadora e defensora da entidade, nunca preocupada em estar nas direções,  sempre esteve nas lutas, seja na pauta da categoria, seja nas pautas gerais. Sempre defendendo a participação de todos e a democracia.


 
“Aqui em Minas Gerais a apelidamos de Formiguinha Atomica. Grande referência de luta em todos os sentidos. Fundou o SINTSPREV-MG e ajudou a construir a FENASPS...UMA VERDADEIRA LIDERANÇA” Rose Palmerão (INSS-MG)


O fim do presidencialismo na Fenasps tem origem nela , ela apresentou a proposta de funcionamento colegiado e foi com esse objetivo a chapa que ela participava foi vitoriosa no Congresso, acabou com o presidencialismo , aprovou proporcionalidade qualificada , secretaria de mulheres e secretaria negras e negros.


“Carminha foi muito importante na minha vida. Pra mim foi a descoberta do feminismo  da classe trabalhadora , um recorte de classe no feminismo que foi estruturante do meu pensamento para toda a vida . Assim como o debate de democracia nas entidades sindicais.” Junia (INSS – SP)


A marca fundamental da personalidade dela de agregar , somar , debater diferenças com respeito, organizar e dar voz para a base, fizeram história em todos os anos de militância dessa grande guerreira.


“Guerreira de importância ímpar na construção do SINTSPREV/MS e movimento sindical dos Servidores Publicos Federais do Estado do Mato Grosso do Sul  Gratidão” Podalirio (INSS-MS)







Na greve de 2015 esteve presente, sendo referência da galera dos últimos concursos. Mesmo com a saúde frágil, não deixava a “peteca” cair, e continuava no movimento.

Esteve no movimento “Elenão” em 2018, não abria mão de lutar  pelas pautas feministas, sabia exatamente qual o risco correríamos com esse desgoverno atual.





A Carminha é e sempre será uma grande referência para o movimento nacional.

CARMINHA PRESENTE!!! HOJE E SEMPRE!!!


sexta-feira, 12 de junho de 2020

Assine o Manifesto do Levante das Mulheres Brasileiras


















𝗠𝗔𝗡𝗜𝗙𝗘𝗦𝗧𝗢 𝗗𝗢 𝗟𝗘𝗩𝗔𝗡𝗧𝗘 𝗗𝗔𝗦 𝗠𝗨𝗟𝗛𝗘𝗥𝗘𝗦 𝗕𝗥𝗔𝗦𝗜𝗟𝗘𝗜𝗥𝗔𝗦

#MulheresDerrubamBolsonaro

Já fomos às ruas dizer que “Quem Ama não Mata”, lutamos pelas “Diretas Já”, pelo “Fora Cunha”, “Fora Temer”, dissemos “Nenhuma a menos”. Bebemos da experiência das Marchas das Margaridas, da Marcha de Mulheres Negras, e, nas últimas eleições, gritamos que “Ele não”!

Agora, voltamos para avisar: “Ele Cai!”

A política do (des)governo Bolsonaro – que mata diariamente cerca de mil brasileiros por Covid-19, amplifica a necropolítica e o genocídio de jovens negros, aumenta a desigualdade e o empobrecimento da população, retira direitos e faz apologia à ditadura e ao fascismo – mobilizou o Levante das Mulheres a produzir este manifesto.

Em 2020, a crise sanitária potencializou as crises econômica, política, ambiental, cultural e social, escancarando as desigualdades de classe, de raça e de gênero no mundo.
O racismo estrutural e as desigualdades impostas às mulheres – especialmente às negras e pobres – jogam sobre todas os impactos dessa realidade. A responsabilidade com a produção e a reprodução da vida nos esgota física e mentalmente.

Bolsonaro, com suas ações negacionistas, misóginas e racistas, amplia o sofrimento da população. O faz quando dificulta o pagamento do auxílio emergencial e nos empurra para a morte, ao dizer que a economia vale mais que a vida, e autoriza os patrões a exigir que continuemos trabalhando sob o risco de contágio.

Os impactos da pandemia não são iguais para todas, todes e todos. Mulheres negras e pobres, trabalhadoras informais, domésticas e as que estão na ponta dos serviços essenciais de saúde têm sua condição agravada, pois muitas vivem em moradias precárias em favelas e comunidades, sem água e esgoto, e sem acesso à saúde pública. Estão nas ruas batalhando pelo sustento da família e enfrentam a lida da casa, os cuidados com as crianças, idosos, doentes e parentes encarcerados. Essas mulheres perdem seus filhos, irmãos e netos para a brutalidade policial, pautada em uma política de segurança pública equivocada.

A realidade é cruel também para as indígenas, mulheres de comunidades e povos tradicionais, que têm suas terras ameaçadas e seu povo trucidado por grileiros, garimpeiros e desmatadores. Para as ribeirinhas que defendem as águas de onde tiram a pesca, o sustento. Para lésbicas e trans dizimadas todos os dias. Para as vítimas de violência doméstica e feminicídio, crimes que aumentaram na pandemia.

Estamos em luta por nós, por elas, por todas!

Assinamos este manifesto inspiradas nas lutas feministas de todo mundo e lembrando que fomos capazes de construir a resistência ao longo da história do Brasil.

Estamos unidas, mais uma vez, em 2020.

Agora, para tirar Bolsonaro do poder. Ele cai!

Somos mulheres negras, brancas, indígenas, lésbicas, bissexuais, trans, travestis, heterossexuais, quilombolas, ciganas, mulheres com deficiência, ativistas e cyberativistas, jovens, idosas, ribeirinhas, da floresta, do campo, estudantes, educadoras, donas de casa, militantes, artistas, desempregadas, profissionais liberais, profissionais do sexo, servidoras públicas, pesquisadoras, pequenas empreendedoras, celetistas, profissionais da saúde, de serviços essenciais, antiproibicionistas, defensoras de direitos humanos e de mais mulheres na política, católicas, evangélicas, judias, de terreiro, muçulmanas, sem religião, mas com fé na força de cada uma de nós.

Lutamos pelo fim da escravidão e do fascismo, contra a ditadura militar e pela democracia. Exigimos resposta sobre Quem Mandou Matar Marielle e vamos derrubar Bolsonaro e Mourão!

Convocamos as instituições da República a cumprirem seus papéis. Já existem na Câmara dos Deputados inúmeros pedidos de Impeachment; no TSE, diversas ações pela cassação da chapa Bolsonaro/Mourão por fraude eleitoral. O STF, enfim, precisa responsabilizar o presidente, que segue descumprindo a Constituição, atentando contra a liberdade e produzindo a morte de brasileiros e brasileiras.

Chamamos todas e todes à insurgência para se somarem ao Levante das Mulheres pelo fim do governo Bolsonaro!

Irmanadas. Diversas, mas não dispersas.

Não temos dúvida do nosso poder.

#𝗠𝘂𝗹𝗵𝗲𝗿𝗲𝘀𝗗𝗲𝗿𝗿𝘂𝗯𝗮𝗺𝗕𝗼𝗹𝘀𝗼𝗻𝗮𝗿𝗼

NÚMERO DE ASSINATURAS ÀS 19H58 DE 12/06/2020: 7.052 𝗠𝗨𝗟𝗛𝗘𝗥𝗘𝗦 𝗔𝗦𝗦𝗜𝗡𝗔𝗥𝗔𝗠

UM CHAMADO A BASE DA SEGURIDADE SOCIAL

            Somos um grupo de servidores da Seguridade Social que milita na base da categoria da Fenasps. Não estamos em direções dos Sindic...