Para além dos diversos problemas que enfrentamos, como o congelamento salarial, falta de condições para retorno às agências, reforma administrativa, sucateamento do INSS e dos serviços públicos, dentre tantos, mesmo o básico que são sistemas que minimamente funcionem para que possamos trabalhar temos tido. Diante da piora ainda maior nos últimos dois meses, com quedas cada vez mais insuportáveis e constantes no GET, CNIS e na VPN, nossa paciência chegou no limite. Ainda por cima, mesmo o mínimo já normatizado sobre o assunto tem sido respeitado, prazos para abatimentos são ignorados, quedas nos sistemas de dias inteiros negligenciadas, como ficou patente com a ausências dos dias indicados nos próprios avisos da DATAPREV, tudo isso levou nossa categoria ao limite. Indignados, servidores da base da categoria elaboraram um abaixo-assinado reivindicando o mínimo: sistemas corporativos que funcionem e não sermos cobrados por um período em que não podemos trabalhar!
O governo, como tantas outras vezes,
prometeu nos atender e nos deu até prazo. Mas como sempre não cumpriu o
prometido, nos desrespeitando e soltando uma nova portaria piorando ainda mais
as condições dos que estão no Teletrabalho e no Semipresencial (com aumento de
metas), além de já ter sinalizado punição salarial para os demais que não
cumprirem as metas. A paralisação na análise de processos de 3 dias que estamos
fazendo, é um sinal de que, apesar do trabalho online, ainda podemos nos
mobilizar e parar o INSS. Isso porém parece ter sido ainda insuficiente para
acuar uma diretoria colegiada de tecnocratas no melhor estilo Paulo Guedes, que
desconhecem a realidade dos servidores e da população, um punhado de homens
brancos que só falta nos chamar de parasitas e que nos culpa pelos problemas do
INSS, quando os culpados são eles e o governo que defendem.
Precisamos ir além!
Esse movimento não pode parar por aqui. Mas não basta a simples continuidade, precisamos entender as nossas limitações para poder superá-las. A esmagadora maioria dos servidores aderiram aos programas de gestão não por simpatia ao governo ou por concordar com as metas estabelecidas, mas por necessidades concretas. Se programaram para esses 3 dias e não podem ser desligados repentinamente, já está sendo difícil manter essas 72 horas. Prorrogar imediatamente o movimento por tempo indeterminado levaria o movimento a se esvaziar, o que não quer dizer que tenhamos que parar por aqui. A partir de dezembro podemos recuperar o fôlego e iniciar um movimento por tempo indeterminado, com todos iniciando em patamares iguais de pontuação e sem diferenças entre quem já bateu a meta ou está mais próximo e os demais.
Além disso, nenhuma tática deve ser
descartada. Os programas de gestão são o coração do INSS, e os servidores, com
os salários congelados, inflação galopante, morando muitas vezes em outras
cidades com horas e horas de deslocamento, aderem por necessidade. Não adiantam
apelos para que as pessoas individualmente boicotem os programas de gestão, o
que é diferente de uma ação coletiva e organizada que de fato coloque os
programas em risco. Uma possibilidade seria um abaixo-assinado no qual milhares
de servidores se comprometam a se desligarem no mesmo dia desses caso as
reivindicações não sejam atendidas. Como dizia o poeta Paulo Leminski: “Na luta
de classes todas as armas são boas: pedras, paus, poemas”.
Se faz necessário também progredir
para envolver um maior número de servidores nas mobilizações. As movimentações
setoriais são importantes, colocam servidores em luta que depois puxam os
demais, e é importante que isso aconteça. O GT de pontuação está em andamento,
e se não houver luta dos servidores, será mais um GT de enrolação. Com a
expansão da pontuação para todos os setores do INSS, ninguém está a salvo, e já
houve proposta de atrelamento da produtividade às avaliações da GDASS.
Ainda que não se queira perder o
foco, o próximo passo tem que ser envolver o conjunto dos servidores numa luta
comum, não só por pontuações justas, já que não há correlação de forças no
momento para impor outra lógica de aferimento, mas também nos colocar em
movimento com o conjunto dos servidores contra a Reforma Administrativa do
Governo Bolsonaro, que na prática acaba com nossas carreiras.
É um engodo que as novas regras só
valerão para os novos servidores, pois isso nos jogaria numa carreira em
extinção nivelada pelas regras vindouras. O momento é propício, milhares dos
nossos que acreditavam que o novo governo resolveria nossos problemas de mão
beijada, que produzindo individualmente seriam valorizados, que passaram a
desacreditar na luta coletiva, com o rompimento dos setores médios da população
com este governo começaram a despertar também. Tal situação só tende a se
intensificar, é possível jogar o governo contra as cordas e sermos vitoriosos.
Precisamos
do apoio de nossos sindicatos!
Ainda que o desgaste do movimento
sindical junto a base dos trabalhadores seja muito grande, mesmo que questionados
são uma fonte de segurança e de credibilidade na luta quando se envolvem,
muitos servidores questionam quando não estão envolvidos se o movimento é
realmente efetivo.
Muitos apontamentos feitos com
relação à política produtivista e aos programas de gestão realizados por parte
da maioria de nosso movimento sindical estão corretos, ainda que muitas vezes se
culpabilize incorretamente os servidores e não se entenda a correlação de
forças desfavorável que vivemos. Como a própria diretoria do INSS propagandeia,
é uma tentativa de implantação da Indústria 4.0 na gestão. Tal modelo tem
significado na prática a flexibilização ou até mesmo o fim de direitos
trabalhistas para variadas categorias. Na nossa o Teletrabalho tem feito muitos
trabalharem mais do que 6h para poderem bater as metas, com a instituição se
aproveitando da chantagem de que caso saiam terão que voltar a enfrentar várias
horas de deslocamento. Com o BMOB se aproveitaram de nossa defasagem salarial
para impor uma forma de recebimento na qual não há férias, licença médica, 13°,
só miseráveis 40 reais líquidos. Tal flexibilização trabalhista começa a ser
questionada no mundo todo, com paralisações de motoristas de apps,
entregadores, profissionais de telemarketing, dentre outros. Temos inclusive
intelectuais brasileiros que estudam o assunto entre os melhores do mundo, como
Ruy Braga e Ricardo Antunes, totalmente abertos ao debate com o movimento
sindical, e que são sub-aproveitados para analisar nossa situação no INSS.
Mas em prol da crítica a esse
modelo, nossos sindicatos e federações combativas, FENASPS e CNTSS, não podem
ignorar a luta dos trabalhadores por minimamente conseguir reduzir nossa
exploração. Nosso movimento não é de corrente nenhuma, partiu da base que está
cansada de não ter nem mesmo condições pra trabalhar. Cabe aos sindicatos
brigar até mesmo por um bebedouro, se for isso que move os trabalhadores. Nos
anos 90 os setores combativos do movimento sindical brigaram muito contra a PLR
por exemplo, mas depois tiveram qu brigar por valores maiores, pois não havia
correlação de forças para a incorporação aos salários.
Não resolve relegar os servidores
que vão a luta à própria sorte dizendo que nossa pauta é rebaixada, isso só nos
deixa mais ainda a mercê da administração, que o que mais quer é que os
sindicatos não apoiem o movimento dos servidores. Nossos sindicatos e
federações devem refletir, historicamente estiveram ao nosso lado em todas as
lutas, não podem devido a disputas internas manterem uma postura inflexível,
quando milhares de trabalhadores se levantam e se organizam. Essa tem que ser
uma discussão fraterna, partindo daqueles que estão construindo o movimento e
sabem da importância do envolvimento e apoio dos nossos sindicatos, facilitando
até mesmo o desenvolvimento paralelo da luta contra a reforma administrativa.
Dentre aqueles que já estamos
construindo o movimento, nossa organização, também precisa evoluir. Durante
esse tempo dos 3 dias até uma nova paralisação das análises, precisamos voltar
ao convencimento nos grupos para maiores adesões, e repensar o trancamento dos
mesmos caso se apresente uma revolta dos servidores depois da reabertura. Além
do que corretamente já foi feito, de procurar a imprensa, é necessário buscar
parlamentares que defendem os servidores, entidades da sociedade civil,
aumentar a pressão pois o funcionamento dos sistemas do INSS é uma demanda de
toda a sociedade.
Também é necessário que, numa nova
paralisação, tenhamos um comando de mobilização que represente os servidores
nacionalmente, ainda que virtualmente, pois não podemos estar todos em
Brasília. Por mais valorosa que seja a atuação de um coletivo sindical, o
movimento precisa se ampliar e ter representatividade, para além das já eleitas
em nossas entidades, sendo esta uma discussão fraterna que fazemos com nossos
colegas que estão na luta.
E que se façam documentos,
discutamos, aprofundemos e politizemos nossas discussões, façamos desse limão
uma limonada, conseguindo o mínimo podemos animar o conjunto dos servidores
para irmos além, nossa vitória é possível!




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