quinta-feira, 26 de novembro de 2020

ACABOU A PACIÊNCIA! AMPLIAR O MOVIMENTO PARA TODA A CATEGORIA! NOSSOS SINDICATOS PRECISAM NOS DAR APOIO!

 

Para além dos diversos problemas que enfrentamos, como o congelamento salarial, falta de condições para retorno às agências, reforma administrativa, sucateamento do INSS e dos serviços públicos, dentre tantos, mesmo o básico que são sistemas que minimamente funcionem para que possamos trabalhar temos tido. Diante da piora ainda maior nos últimos dois meses, com quedas cada vez mais insuportáveis e constantes no GET, CNIS e na VPN, nossa paciência chegou no limite. Ainda por cima, mesmo o mínimo já normatizado sobre o assunto tem sido respeitado, prazos para abatimentos são ignorados, quedas nos sistemas de dias inteiros negligenciadas, como ficou patente com a ausências dos dias indicados nos próprios avisos da DATAPREV, tudo isso levou nossa categoria ao limite. Indignados, servidores da base da categoria elaboraram um abaixo-assinado reivindicando o mínimo: sistemas corporativos que funcionem e não sermos cobrados por um período em que não podemos trabalhar!

O governo, como tantas outras vezes, prometeu nos atender e nos deu até prazo. Mas como sempre não cumpriu o prometido, nos desrespeitando e soltando uma nova portaria piorando ainda mais as condições dos que estão no Teletrabalho e no Semipresencial (com aumento de metas), além de já ter sinalizado punição salarial para os demais que não cumprirem as metas. A paralisação na análise de processos de 3 dias que estamos fazendo, é um sinal de que, apesar do trabalho online, ainda podemos nos mobilizar e parar o INSS. Isso porém parece ter sido ainda insuficiente para acuar uma diretoria colegiada de tecnocratas no melhor estilo Paulo Guedes, que desconhecem a realidade dos servidores e da população, um punhado de homens brancos que só falta nos chamar de parasitas e que nos culpa pelos problemas do INSS, quando os culpados são eles e o governo que defendem.

Precisamos ir além!  

Esse movimento não pode parar por aqui. Mas não basta a simples continuidade, precisamos entender as nossas limitações para poder superá-las. A esmagadora maioria dos servidores aderiram aos programas de gestão não por simpatia ao governo ou por concordar com as metas estabelecidas, mas por necessidades concretas. Se programaram para esses 3 dias e não podem ser desligados repentinamente, já está sendo difícil manter essas 72 horas. Prorrogar imediatamente o movimento por tempo indeterminado levaria o movimento a se esvaziar, o que não quer dizer que tenhamos que parar por aqui. A partir de dezembro podemos recuperar o fôlego e iniciar um movimento por tempo indeterminado, com todos iniciando em patamares iguais de pontuação e sem diferenças entre quem já bateu a meta ou está mais próximo e os demais.

Além disso, nenhuma tática deve ser descartada. Os programas de gestão são o coração do INSS, e os servidores, com os salários congelados, inflação galopante, morando muitas vezes em outras cidades com horas e horas de deslocamento, aderem por necessidade. Não adiantam apelos para que as pessoas individualmente boicotem os programas de gestão, o que é diferente de uma ação coletiva e organizada que de fato coloque os programas em risco. Uma possibilidade seria um abaixo-assinado no qual milhares de servidores se comprometam a se desligarem no mesmo dia desses caso as reivindicações não sejam atendidas. Como dizia o poeta Paulo Leminski: “Na luta de classes todas as armas são boas: pedras, paus, poemas”.

Se faz necessário também progredir para envolver um maior número de servidores nas mobilizações. As movimentações setoriais são importantes, colocam servidores em luta que depois puxam os demais, e é importante que isso aconteça. O GT de pontuação está em andamento, e se não houver luta dos servidores, será mais um GT de enrolação. Com a expansão da pontuação para todos os setores do INSS, ninguém está a salvo, e já houve proposta de atrelamento da produtividade às avaliações da GDASS.

Ainda que não se queira perder o foco, o próximo passo tem que ser envolver o conjunto dos servidores numa luta comum, não só por pontuações justas, já que não há correlação de forças no momento para impor outra lógica de aferimento, mas também nos colocar em movimento com o conjunto dos servidores contra a Reforma Administrativa do Governo Bolsonaro, que na prática acaba com nossas carreiras.

É um engodo que as novas regras só valerão para os novos servidores, pois isso nos jogaria numa carreira em extinção nivelada pelas regras vindouras. O momento é propício, milhares dos nossos que acreditavam que o novo governo resolveria nossos problemas de mão beijada, que produzindo individualmente seriam valorizados, que passaram a desacreditar na luta coletiva, com o rompimento dos setores médios da população com este governo começaram a despertar também. Tal situação só tende a se intensificar, é possível jogar o governo contra as cordas e sermos vitoriosos.

 

Precisamos do apoio de nossos sindicatos!

 

Ainda que o desgaste do movimento sindical junto a base dos trabalhadores seja muito grande, mesmo que questionados são uma fonte de segurança e de credibilidade na luta quando se envolvem, muitos servidores questionam quando não estão envolvidos se o movimento é realmente efetivo.

Muitos apontamentos feitos com relação à política produtivista e aos programas de gestão realizados por parte da maioria de nosso movimento sindical estão corretos, ainda que muitas vezes se culpabilize incorretamente os servidores e não se entenda a correlação de forças desfavorável que vivemos. Como a própria diretoria do INSS propagandeia, é uma tentativa de implantação da Indústria 4.0 na gestão. Tal modelo tem significado na prática a flexibilização ou até mesmo o fim de direitos trabalhistas para variadas categorias. Na nossa o Teletrabalho tem feito muitos trabalharem mais do que 6h para poderem bater as metas, com a instituição se aproveitando da chantagem de que caso saiam terão que voltar a enfrentar várias horas de deslocamento. Com o BMOB se aproveitaram de nossa defasagem salarial para impor uma forma de recebimento na qual não há férias, licença médica, 13°, só miseráveis 40 reais líquidos. Tal flexibilização trabalhista começa a ser questionada no mundo todo, com paralisações de motoristas de apps, entregadores, profissionais de telemarketing, dentre outros. Temos inclusive intelectuais brasileiros que estudam o assunto entre os melhores do mundo, como Ruy Braga e Ricardo Antunes, totalmente abertos ao debate com o movimento sindical, e que são sub-aproveitados para analisar nossa situação no INSS.

Mas em prol da crítica a esse modelo, nossos sindicatos e federações combativas, FENASPS e CNTSS, não podem ignorar a luta dos trabalhadores por minimamente conseguir reduzir nossa exploração. Nosso movimento não é de corrente nenhuma, partiu da base que está cansada de não ter nem mesmo condições pra trabalhar. Cabe aos sindicatos brigar até mesmo por um bebedouro, se for isso que move os trabalhadores. Nos anos 90 os setores combativos do movimento sindical brigaram muito contra a PLR por exemplo, mas depois tiveram qu brigar por valores maiores, pois não havia correlação de forças para a incorporação aos salários.

Não resolve relegar os servidores que vão a luta à própria sorte dizendo que nossa pauta é rebaixada, isso só nos deixa mais ainda a mercê da administração, que o que mais quer é que os sindicatos não apoiem o movimento dos servidores. Nossos sindicatos e federações devem refletir, historicamente estiveram ao nosso lado em todas as lutas, não podem devido a disputas internas manterem uma postura inflexível, quando milhares de trabalhadores se levantam e se organizam. Essa tem que ser uma discussão fraterna, partindo daqueles que estão construindo o movimento e sabem da importância do envolvimento e apoio dos nossos sindicatos, facilitando até mesmo o desenvolvimento paralelo da luta contra a reforma administrativa.

Dentre aqueles que já estamos construindo o movimento, nossa organização, também precisa evoluir. Durante esse tempo dos 3 dias até uma nova paralisação das análises, precisamos voltar ao convencimento nos grupos para maiores adesões, e repensar o trancamento dos mesmos caso se apresente uma revolta dos servidores depois da reabertura. Além do que corretamente já foi feito, de procurar a imprensa, é necessário buscar parlamentares que defendem os servidores, entidades da sociedade civil, aumentar a pressão pois o funcionamento dos sistemas do INSS é uma demanda de toda a sociedade.

Também é necessário que, numa nova paralisação, tenhamos um comando de mobilização que represente os servidores nacionalmente, ainda que virtualmente, pois não podemos estar todos em Brasília. Por mais valorosa que seja a atuação de um coletivo sindical, o movimento precisa se ampliar e ter representatividade, para além das já eleitas em nossas entidades, sendo esta uma discussão fraterna que fazemos com nossos colegas que estão na luta.

E que se façam documentos, discutamos, aprofundemos e politizemos nossas discussões, façamos desse limão uma limonada, conseguindo o mínimo podemos animar o conjunto dos servidores para irmos além, nossa vitória é possível!

 


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