As quaresmeiras na capital paulista florescem com vigor em intervalos cada vez menores. O estresse causado pela poluição da cidade grande, encurta suas vidas e, assim, elas respondem produzindo mais flores e sementes.
Essa situação encontra paralelo nas relações trabalhistas em que o patronato usualmente sujeita os trabalhadores em geral a condições degradantes e de absoluta insegurança para que produzam mais em menor tempo. No serviço público, a partir da introdução desordenada do que há de pior nas práticas da iniciativa privada, a reprodução desse processo se manifesta na transferência de responsabilidades estruturais e gerenciais ao servidor, falta de transparência, sobrecarga, assédio, ameaça de desconto salarial e até demissão. Eis o atual estado das coisas em nosso meio.
Embora a ciência administrativa tenha demonstrado que a médio e longo prazo tais condições acarretam redução na capacidade produtiva devido a prejuízos na saúde física e mental dos trabalhadores, essa não é uma preocupação do governo, seus administradores e capachos que não se comprometem com o nosso futuro e esperam em breve ter à disposição mecanismos que facilitem o descarte desses corpos que eles mesmos danificaram.
Assim, enquanto outro mês se aproxima do final, muitos de nós, extenuados, esperamos ter trabalhado o suficiente para garantir por mais algum tempo o mínimo de dignidade e segurança, sem saber por quanto tempo ainda poderemos florescer vigorosamente antes que sejamos a próxima quaresmeira a tombar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário